se tiver volta, entao me coloco em paciencia.
se nao tiver, acelero o relogioe permito acontecer no breve.
é tanto e nada que angustia,
deixei desaguar meu oceano.
e é tanto e muito, profundo. confuso.
imensidão de dor contida,
de grito oco, silencioso.
ansiosamente pela volta, pelo sol.
sair da imersão, despertar o leão.
sou tantos generos,
sou qualquer gramatica,
sem plural, sem singular.
sou sem conjugação.
sou tantos e outros, os generos.
sou coisa nova, mistura. pouco
de dois, dos generos. me coloco
em tempos verbais,
me deixo sem adjetivo,
descarto o adjunto.
pois quero tudo e tantos e descobrir o unico.
uma fuga pra nós dois,
solitários, então, sejamos nós.
falaremos pra nós, de nós,
sobre tantos, sobre mtos,
sobre causos, sobre dores e, quem sabe,
numa noite fria de chuva tardia,
riremos de tanto predio que desabou,
falhas na estrutura, pra que te quero!
pra renovar cada pilastra que te ergue,
arranha-ceu.
pra nos dois, eu e vc, minha mente febril.
7, acusava. sete.
SETE? SE - TE?
é, sete.
muito numero.
e o 300. trezentos, era necessário.
TRE-ZEN-TOS?
é, trezentos. nem 72, nem 200. TREZENTOS.
nao gosto de numero,
mas chega a ser perseguição.
queria me livrar desses malditos,
nao gosto, nao adianta.
pq sete?
deixa sangrar toda a dor,
mesmo que inunde de sangue imundo esse chão
cinzento que habita o andar debaixo.
essa meia luz, essa meia musica
que traduz metade de vc.
logo ela, menina pequenina,
que fala e observa demais. consegue já, quem diria, analisar todos movimentos.
logo ela, filha do erro, do pedófilo,
da angustia.
logo ela, consequencia dolorida da falta de informação,
da solidão.
logo ela que fala demais, porém, de si fala de menos.
esconde dores, mesmo que o sangue esteja correndo
ladeira abaixo.
tem o ódio nas veias. nao se culpa, sequer reprime.
de quantas voltas mais no relógio precisarei?
deito pra dormir, anseio por asas e só enxergo grades de madeira.
de madeira. ufa. de madeira?
eu nao escolhi me vestir assim, quem foi que me colocou essa roupa?
o reflexo me faz ter vontade de gritar.
sentei ali e derramei minha dor. eu nao quero me vestir assim!
se pudesse, gritaria ao mundo. será que existe ajuda?
ficou dificil, nao sai. eu tentei, eu juro. de todas as maneiras!
eu nunca quis essa roupa. deveriam ter me perguntado antes!
nao quero ir, nao vou assim, em lugar algum.
nao me importa que olhem, se vao gostar ou nao,
quero ir confortavel, quero caminhar da maneira que escolhi me vestir,
nao assim, com tudo isso. cuidaram, inclusive, dos detalhes e sao eles
que me incomodam tanto! não precisava, deixassem comigo!
agora como faço pra me despir dessa roupa encalacrada em mim?
